
CONHEÇA O ARTISTA #36 – HEITOR VALENTE
Heitor Valente começou sua trajetória artística aos 15 anos, inspirado pelos cordéis e crônicas do tio — artista, fotógrafo e indigenista. Com uma juventude marcada por conflitos escolares e questões disciplinares, encontrou na poesia e no hip hop uma forma de expressão e enfrentamento social.
‘Tive uma vivência escolar conturbada, com várias expulsões e problemas relacionados a disciplina, o que me aproximou muito desse universo das contestações das regras, leis e conflitos sociais. Acredito que essa combinação de poesia, arte e rebeldia foi o ambiente perfeito para que o hip hop se tornasse meu estilo de vida.”
“Hoje, apesar de ter sido expulso de 5 escolas, sou professor, e acredito que é justamente esta vivência que faz com que meus alunos se identifiquem e se interessem pelas ideias que eu compartilho com eles. A ideia de uma educação diferente do padrão, com um professor que carrega as mesmas vivências e que propõe um jeito diferente de ensinar, é algo que eu sempre quis ter e que hoje posso oferecer aos meus alunos. Hip Hop é pedagogia.”
Entre os principais desafios enfrentados, Heitor destaca a constante tensão entre arte e sobrevivência financeira, especialmente para quem escolhe a arte como ferramenta de transformação social. Com o tempo, buscou formação técnica e acadêmica para equilibrar essas dimensões.
“Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de conhecer pessoas excepcionais, que me ajudaram a construir uma lógica de vida onde foi possível estabelecer um equilíbrio entre esses dois universos através de formação, profissionalização técnica e acadêmica e um bom plano de atuação no mercado.”
“a necessidade de organizar o empresarial do nosso trabalho não significa ter de esvaziar nosso posicionamento ideológico, pelo contrário, quando estabelecemos uma disciplina na questão empresarial, isso nos dá muito mais condições de atuar nas nossas causas e lutas com mais qualidade e infraestrutura.”
“Sempre vi o DF como um dos mais relevantes polos culturais do Brasil, aqui todas as culturas se misturam, todas as encruzilhadas se encontram. As misturas culturais, regionais e ideológicas fazem do DF o símbolo máximo da pluralidade cultural a meu ver e isso fica nítido na expressão artística que vivenciamos daqui.”

